Jogadores comemoral gol com torcida

Onda de novos sócios-torcedores é a resposta do Vasco ao Flamengo e ao desempenho dos últimos anos

Eu não ia escrever sobre o Vasco. Quando comecei a fazer um rascunho mental desse texto, minha pauta era sobre como os títulos do histórico 2019 do Flamengo de Jorge Jesus poderiam provocar transformações nos rivais cariocas nos próximos anos. Mas, verdade seja dita, não deu tempo de colocar essa ideia em campo. Os efeitos da vitoriosa temporada rubro-negra chegaram agitando o clima em São Januário. Isso mesmo. A adesão em massa do programa de sócios-torcedores está muito longe de ser apenas algo meramente comercial.

Ver o arquirrival da Gávea conquistar competições de renome nacional e internacional foi a gota d’água para uma resposta. Uma “nova resposta histórica” — nome dado ao atual movimento em alusão ao episódio (1924) em que o clube se desligou da entidade responsável pelos campeonatos de futebol no Rio de Janeiro por se recusar a excluir atletas negros do elenco — às frustrações de uma torcida que viu as glórias do passado darem lugar a três rebaixamentos, às sucessivas temporadas de luta para não amargar novos descensos  e, principalmente, à instabilidade política que passeia pelos arredores de São Januário por conta dos turbulentos processos eleitorais. Foi, em resumo, aquele grito de “gol” entalado há anos na garganta.

A diretoria cruzmaltina lançou ofertas exclusivas de Black Friday para estimular a adesão de seus torcedores ao programa de sócios do clube. O lançamento dos preços promocionais aconteceu na segunda-feira (25/11). A meta inicial dos cartolas vascaínos era atingir a marca de 50 mil sócios até sexta-feira (29/11), data em que, inicialmente, as ofertas seriam encerradas. O retorno da torcida, no entanto, foi tão positivo que, na quarta-feira (27/11), o número de associados já batia a casa dos 65 mil sócios-torcedores. E os números chamam ainda mais atenção quando se analisa a evolução da adesão desde o início da campanha até agora. O número saiu de 33.447 para expressivos 170.257 (valores atualizados até o momento da publicação da reportagem). Crescimento superior a 400%.

Mostrar evolução da adesão dos sócios-torcedores do Vasco

O sucesso da iniciativa colocou o Gigante da Colina no topo do ranking dos times com maior número de associados do Brasil. Ele saiu da oitava colocação para assumir a liderança, desbancando, respectivamente: Sport, Bahia, Corinthians, Grêmio, Atlético-MG, Internacional e Flamengo. E, como se a “nova resposta histórica” não bastasse, os ventos também parecem começar a soprar os transtornos políticos, bem comuns em São Januário, para longe da nau vascaína.

Isso porque, na última quarta-feira (04/12), o Conselho Deliberativo do Vasco aprovou, por unanimidade, as eleições diretas para presidente já a partir de 2020. É necessário que o sócio-torcedor tenha, pelo menos, um ano de vínculo com clube para votar e cinco anos para ser elegível. Em outras palavras, associados terão o direito de eleger quem ocupará o cargo mais importante do clube no próximo triênio. A decisão atende às demandas de boa parte da torcida vascaína, que via, de mãos atadas, a desordem política no clube, sobretudo em anos de eleições.

Independente do que aconteça nos próximos capítulos, os vascaínos precisam seguir abraçando o time. A receita adicional, estimada em mais de 1,8 milhão por mês, dos novos sócios-torcedores será fundamental para reestruturação do clube. Deve-se, no entanto, sempre manter os pés nos chão. Fazer o clube de São Januário estampar os noticiários por suas glórias leva tempo. Os títulos expressivos não vão começar a aparecer de uma hora para outra. O próprio Flamengo, antes de se tornar essa potência fora e dentro de campo, acumulou sucessivas frustrações. Ter a consciência de que essa relação, financeira e sentimental, deve ser preservada a longo prazo é o primeiro passo para o Gigante da Colina voltar a ser protagonista da história do futebol brasileiro e internacional.

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